Policiais civis de Itu são denunciados por suposta extorsão de R$ 250 mil contra casal

23 de julho de 2026

Três policiais civis lotados em Itu, um policial militar e um advogado foram denunciados pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo, por suposta participação em um esquema de extorsão, abuso de autoridade e associação criminosa. De acordo com a denúncia, o grupo teria exigido R$ 250 mil de um casal após uma abordagem policial envolvendo um veículo de luxo e uma pequena quantidade de droga.

Segundo o Ministério Público, o caso começou quando policiais militares abordaram um casal que estava em um carro de luxo. Durante a fiscalização, foi encontrada uma pequena porção de haxixe, cuja posse teria sido assumida pelo motorista. Mesmo assim, conforme a investigação, a mulher foi algemada e conduzida à delegacia, embora não houvesse indícios de que ela tivesse cometido qualquer crime.

A denúncia afirma ainda que, após a abordagem, policiais civis seguiram até a residência da mulher sem autorização judicial para apreender o veículo dela. Em seguida, os agentes também foram até a casa dos pais do motorista, onde localizaram outras porções de entorpecentes.

Conforme o Gaeco, já na Delegacia Central de Itu, os investigados teriam exigido o pagamento de R$ 250 mil em troca da libertação da mulher e da devolução dos veículos apreendidos. O Ministério Público sustenta que um advogado participou da negociação e elaborou, utilizando um computador da própria delegacia, um contrato de honorários advocatícios no mesmo valor, que teria servido para dar aparência de legalidade à cobrança. O acordo previa ainda o pagamento imediato de R$ 50 mil via Pix.

De acordo com a investigação, o pagamento não foi realizado porque um policial civil de outra região, que é noivo da advogada contratada pela família, desconfiou da situação e comunicou o caso a outros agentes. Após a intervenção, a suposta exigência financeira teria sido interrompida. O motorista permaneceu preso em flagrante pelo porte da droga, enquanto a mulher foi liberada.

A denúncia foi apresentada pelo Ministério Público em maio de 2026, mas o processo tramita sob segredo de Justiça na Comarca de Indaiatuba, após magistrados de Itu declararem suspeição para atuar no caso.

As defesas dos policiais civis e do advogado negam as acusações e afirmam que seus clientes são inocentes. Os advogados sustentam que a denúncia não é compatível com as provas produzidas durante a investigação e que a inocência dos envolvidos será demonstrada no decorrer do processo judicial.

Em nota, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP) informou que os fatos foram investigados pela Corregedoria da Polícia Civil e que o inquérito policial foi arquivado pela Justiça. Já o Ministério Público declarou que o conteúdo de um processo que tramita sob sigilo teria sido divulgado indevidamente e informou que a situação também será apurada.

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