A Associação de Psicólogos de Bragança Paulista (APSIBRAP) protocolou uma moção de preocupação e solicitação de providências direcionada à Secretaria Municipal de Saúde e ao Conselho Municipal de Saúde, pedindo a apuração da situação enfrentada pela rede pública de saúde do município. O documento foi apresentado em um momento de incerteza sobre a permanência da secretária de Saúde, Carmem Silvia Guariente, após informações de um suposto pedido de demissão, que ainda não foi oficialmente confirmado.
Na manifestação, a entidade afirma que diversos problemas vêm sendo relatados por moradores e profissionais da área nos últimos meses, indicando a necessidade de uma avaliação detalhada do funcionamento dos serviços e da adoção de medidas para melhorar o atendimento à população.
Entre os principais pontos levantados pela APSIBRAP estão as longas filas para consultas, exames e cirurgias, a superlotação das unidades de urgência e emergência, denúncias de pacientes permanecendo em macas nos corredores de hospitais e unidades de saúde, além das dificuldades enfrentadas durante a transição administrativa do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) Regional.
Outro tema destacado no documento é a situação da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS). A associação afirma que pacientes têm encontrado dificuldades para acessar atendimento em saúde mental, especialmente nos serviços de psicologia, psiquiatria e assistência voltada ao público infantojuvenil.
Segundo a entidade, as preocupações são baseadas em denúncias públicas e manifestações de usuários registradas em redes sociais, veículos de comunicação e outros espaços de participação popular. Entre as principais reclamações apontadas estão:
- Demora para a realização de consultas com especialistas;
- Longa espera para exames e procedimentos cirúrgicos;
- Dificuldade para conseguir vagas em especialidades médicas;
- Insatisfação com a chamada “fila da saúde”;
- Pacientes aguardando atendimento, transferência ou internação em macas nos corredores;
- Superlotação das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs);
- Dificuldades no atendimento de pessoas em crise de saúde mental;
- Demanda reprimida por atendimento psicológico, psiquiátrico e psicossocial.
Na moção, a APSIBRAP destaca que essas manifestações representam um importante indicativo das dificuldades enfrentadas pelos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) no município e defende que os relatos sejam analisados pelo Conselho Municipal de Saúde.
A entidade afirma que, quando reclamações semelhantes passam a ocorrer de forma recorrente e pública, elas devem ser tratadas como um sinal de alerta sobre possíveis falhas no acesso aos serviços de saúde, cabendo aos órgãos responsáveis promover a fiscalização, solicitar informações oficiais e acompanhar as ações da gestão municipal.
Diante desse cenário, a associação pede que o Conselho Municipal de Saúde solicite esclarecimentos à Secretaria de Saúde, apresente dados atualizados sobre o funcionamento da rede e acompanhe as medidas adotadas para reduzir filas, melhorar o atendimento nas unidades de urgência e fortalecer os serviços de saúde mental.
Até o momento, a Prefeitura de Bragança Paulista não havia se manifestado oficialmente sobre o conteúdo da moção nem confirmado a informação sobre um eventual pedido de desligamento da secretária municipal de Saúde. O documento deverá ser analisado pelos órgãos competentes nas próximas reuniões do Conselho Municipal de Saúde.