Fiocruz produzirá terapia CAR-T para o SUS
O Sistema Único de Saúde (SUS) deu um importante passo rumo à ampliação do acesso a tratamentos de alta complexidade contra o câncer com o anúncio da produção nacional da terapia CAR-T pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Considerada uma das maiores inovações da oncologia nos últimos anos, a tecnologia promete tornar mais acessível um tratamento que atualmente está entre os mais avançados e caros do mundo.
A terapia CAR-T é baseada na utilização das próprias células de defesa do paciente, conhecidas como linfócitos T. O procedimento começa com a coleta dessas células, que são enviadas para um laboratório especializado, onde passam por um processo de modificação genética. Após serem “reprogramadas” para reconhecer e atacar células cancerígenas, elas são reinfundidas no organismo do paciente, fortalecendo a resposta do sistema imunológico contra o câncer.
Inicialmente, a tecnologia será destinada ao tratamento de pacientes com leucemia, linfoma e mieloma múltiplo, doenças hematológicas que frequentemente exigem terapias complexas e apresentam desafios para os tratamentos convencionais. Em muitos países, terapias semelhantes chegam a custar milhões de reais por paciente, tornando o acesso extremamente restrito.
Com a produção em território nacional, a expectativa é reduzir significativamente os custos de fabricação, diminuir a dependência de tecnologias importadas e ampliar a oferta do tratamento por meio do SUS, beneficiando pacientes que hoje enfrentam dificuldades para conseguir acesso à terapia.
O novo Centro de Desenvolvimento e Produção de Terapias CAR-T foi lançado oficialmente no último sábado (23), em cerimônia que reuniu o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e o presidente da Fiocruz, Mario Moreira. O espaço será responsável pelo desenvolvimento científico, produção e aprimoramento da tecnologia no Brasil.
A iniciativa integra o Programa para Ampliação e Modernização de Infraestrutura do Complexo Econômico-Industrial da Saúde (PDCEIS), vinculado ao Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC). O projeto já recebeu investimentos de aproximadamente R$ 330 milhões destinados ao fortalecimento da pesquisa, inovação e produção de tecnologias estratégicas para a saúde pública brasileira.
Especialistas avaliam que a nacionalização da terapia CAR-T representa um marco para a medicina no país, fortalecendo a capacidade científica brasileira e ampliando as possibilidades de tratamento para pacientes oncológicos, além de consolidar o SUS como referência na incorporação de tecnologias de alta complexidade.


