Fechamento de unidade odontológica gera debate em Jundiaí

16 de junho de 2026

A decisão da administração do prefeito Gustavo Martinelli de desativar a unidade descentralizada de atendimento odontológico especializado da Vila Aparecida para instalação de um novo serviço voltado a pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) tem gerado discussões entre moradores e usuários da rede municipal de saúde.

O espaço, que abrigava um Centro de Especialidades Odontológicas (CEO) descentralizado, deixou de oferecer atendimentos especializados para dar lugar ao futuro Centro Girassóis, projeto anunciado pela Prefeitura como uma estrutura dedicada ao acolhimento e atendimento de pessoas com TEA e suas famílias.

A proposta é considerada relevante por especialistas e familiares de pessoas autistas, principalmente diante da crescente demanda por diagnósticos, terapias e acompanhamento especializado. No entanto, o projeto ainda está em fase de estruturação e depende da liberação integral dos recursos anunciados para sua implantação.

A unidade odontológica havia sido criada durante a gestão anterior com o objetivo de ampliar o acesso da população a procedimentos especializados. O local contava com dois consultórios em funcionamento e existia a previsão de expansão para quatro cadeiras odontológicas, o que aumentaria a capacidade de atendimento em áreas como endodontia (tratamento de canal), cirurgia oral menor e atendimento a pacientes com necessidades especiais.

Com a mudança de gestão, o atendimento odontológico especializado foi interrompido poucos meses após o início do novo governo municipal. A área passou a ser destinada à futura instalação do Centro Girassóis, que ainda aguarda recursos para sua completa implementação.

O projeto conta com o apoio da primeira-dama Ellen Martinelli, que tem divulgado informações sobre a iniciativa e os recursos previstos para sua implantação. Segundo os dados apresentados, o centro deverá receber mais de R$ 4,3 milhões provenientes de emendas parlamentares destinadas à aquisição de equipamentos, adequações estruturais e implantação dos serviços.

Entre os valores anunciados estão recursos encaminhados por diferentes parlamentares, incluindo R$ 885 mil do deputado Marcos Pereira, R$ 300 mil da deputada Clarice Ganem, R$ 370 mil da deputada Andreia Werner, R$ 2 milhões do deputado Adilson Barroso, R$ 500 mil do deputado Maurici e R$ 319 mil da deputada Erika Hilton.

Enquanto o novo equipamento não entra em funcionamento, famílias de pessoas com TEA continuam relatando desafios relacionados ao acesso aos serviços públicos. Entre as principais demandas apontadas estão a demora para obtenção de diagnósticos, filas para terapias especializadas, necessidade de ampliação das equipes multiprofissionais, carência de profissionais de apoio nas escolas e insuficiência de atendimentos especializados.

Outro ponto frequentemente levantado por familiares é a necessidade de políticas públicas voltadas também para adolescentes, jovens e adultos com autismo, uma parcela da população que muitas vezes encontra menos opções de atendimento especializado.

A situação tem gerado debate entre moradores, profissionais da saúde e usuários dos serviços públicos. De um lado, há o reconhecimento da importância de ampliar a rede de atendimento às pessoas com TEA. De outro, surgem questionamentos sobre a descontinuidade de um serviço odontológico especializado já em funcionamento para viabilizar um projeto que ainda depende da efetivação dos recursos anunciados e da conclusão de sua estruturação.

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