Governo de SP mantém sigilo sobre documentos que embasaram aditivo de R$ 3,7 bilhões em obra do metrô

10 de junho de 2026

Documentos que fundamentam a liberação de aproximadamente R$ 3,7 bilhões adicionais para as obras da Linha 6-Laranja do Metrô de São Paulo seguem sob sigilo, gerando questionamentos sobre a transparência do processo. O valor foi autorizado pelo Governo do Estado para compensar impactos provocados por dificuldades geológicas encontradas durante a execução do empreendimento e para acelerar o cronograma de entrega de parte da linha.

O aditivo contratual foi aprovado após a identificação de problemas no subsolo durante as escavações, especialmente na região da futura estação Higienópolis-Mackenzie. Segundo documentos oficiais já divulgados, os obstáculos geológicos poderiam provocar atrasos superiores a mil dias no cronograma original da obra caso nenhuma medida fosse adotada.

De acordo com informações divulgadas pela Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp), o aporte extra foi justificado pelo reequilíbrio econômico-financeiro do contrato firmado com a concessionária responsável pela construção e futura operação da Linha 6-Laranja. A medida permitiria a adoção de um cronograma acelerado para viabilizar a entrega de parte do ramal ainda dentro do planejamento estabelecido pelo governo estadual.

Apesar da justificativa oficial, os estudos técnicos, pareceres e documentos que detalhariam os cálculos utilizados para chegar ao valor de R$ 3,7 bilhões não foram disponibilizados publicamente. A ausência dessas informações tem motivado questionamentos de especialistas, entidades ligadas à transparência pública e setores da oposição, que defendem maior acesso aos dados que embasaram uma das maiores revisões financeiras já realizadas em projetos de mobilidade urbana no Estado.

A Linha 6-Laranja é considerada uma das principais obras de infraestrutura em andamento em São Paulo. Quando concluída, a linha deverá ligar a Brasilândia, na zona norte da capital, à região central, contando com 15 estações e capacidade para transportar centenas de milhares de passageiros diariamente. Atualmente, as obras já ultrapassaram a marca de 70% de execução, segundo dados divulgados pelo governo estadual.

O Governo de São Paulo afirma que o reconhecimento do desequilíbrio contratual não representa pagamento imediato dos recursos e que a recomposição financeira será estruturada posteriormente por meio dos mecanismos previstos no contrato, preservando a responsabilidade fiscal do Estado. A concessionária responsável pela obra informou anteriormente que não comenta negociações e processos regulatórios em andamento.

Enquanto isso, a discussão sobre a divulgação dos documentos continua alimentando o debate sobre transparência em contratos públicos de grande porte e sobre a necessidade de acesso da sociedade às informações que justificam investimentos bilionários em obras de infraestrutura.

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