Governo suspende temporariamente vacinação com imunizante contra dengue do Butantan
O Ministério da Saúde anunciou nesta segunda-feira (8) a suspensão temporária da aplicação da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan. A medida foi adotada após o registro de eventos adversos graves que estão sendo investigados pelas autoridades sanitárias para verificar se existe relação direta com o imunizante.
Segundo o governo federal, foram identificados 42 casos de reações adversas graves após a vacinação, além de duas mortes suspeitas que também estão sendo analisadas. Até o momento, não há confirmação de que os óbitos tenham sido causados pela vacina, mas a decisão de interromper temporariamente a aplicação foi tomada por precaução enquanto as investigações são concluídas.
A vacina do Butantan, conhecida como Butantan-DV, é considerada um marco para a saúde pública brasileira por ser a primeira vacina nacional contra a dengue e também a primeira do mundo desenvolvida para aplicação em dose única com proteção contra os quatro sorotipos do vírus da doença. O imunizante começou a ser utilizado em programas-piloto e em grupos específicos da população ao longo de 2026.
De acordo com o Ministério da Saúde, a suspensão afeta exclusivamente a vacina do Instituto Butantan. A vacinação contra a dengue realizada pelo Sistema Único de Saúde (SUS) com outros imunizantes continua normalmente nas faixas etárias e localidades contempladas pelo programa nacional.
Especialistas destacam que a interrupção temporária faz parte dos protocolos de farmacovigilância adotados em campanhas de imunização. Quando surgem eventos adversos graves, os órgãos reguladores realizam análises detalhadas para determinar se os casos estão relacionados à vacina ou se ocorreram por outros fatores de saúde dos pacientes envolvidos.
Para quem já recebeu a vacina, a orientação é manter a tranquilidade e observar eventuais sintomas. Segundo especialistas em imunização, pessoas vacinadas há mais de 21 dias não precisam adotar medidas especiais. Já quem recebeu a dose recentemente deve acompanhar seu estado de saúde e procurar atendimento médico caso apresente sinais persistentes ou reações importantes.
A investigação segue sob responsabilidade do Ministério da Saúde, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e do Instituto Butantan. A vacinação deverá permanecer suspensa até que os estudos concluam se há ou não relação entre os casos registrados e o imunizante.


