Polícia investiga produtora de filme sobre Bolsonaro
A Polícia Civil de São Paulo deflagrou nesta segunda-feira (1º) uma operação que teve como alvo a produtora responsável pelo filme Dark Horse, obra que retrata a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro. A ação integra uma investigação que apura suspeitas de superfaturamento e possível desvio de recursos públicos relacionados ao programa municipal de internet gratuita “WiFi Livre SP”.
Durante a operação, agentes cumpriram mandados de busca e apreensão na sede da empresa Go UP Entertainment, além de endereços ligados à empresária Karina Ferreira da Gama e a outras entidades citadas no inquérito. A investigação também envolve o Instituto Conhecer Brasil (ICB), organização que mantinha contrato com a Prefeitura de São Paulo para a execução do serviço de acesso gratuito à internet em espaços públicos da capital.
Segundo informações apresentadas pela Polícia Civil à Justiça, os investigadores identificaram indícios que apontariam para uma possível confusão patrimonial entre o instituto e a produtora audiovisual. A suspeita é de que parte dos recursos vinculados ao contrato do programa de Wi-Fi gratuito possa ter sido utilizada para financiar despesas relacionadas à produção cinematográfica.
Os investigadores buscam esclarecer a destinação dos valores movimentados pelas entidades e verificar se houve utilização irregular de verbas públicas. A análise inclui documentos financeiros, contratos, registros contábeis e movimentações bancárias que possam ajudar a rastrear o fluxo dos recursos sob investigação.
Em manifestação oficial, a Prefeitura de São Paulo informou que está colaborando com as autoridades e disponibilizando as informações necessárias para o andamento das apurações. A administração municipal destacou que permanece à disposição dos órgãos responsáveis pela investigação.
Por outro lado, Karina Ferreira da Gama negou qualquer irregularidade. Em sua defesa, a empresária afirmou que o filme Dark Horse não recebeu recursos públicos brasileiros nem investimentos privados de origem nacional. Segundo ela, a produção foi desenvolvida sem utilização de verbas ligadas ao contrato investigado.
Até o momento, a operação tem caráter investigativo e busca reunir elementos que possam confirmar ou descartar as suspeitas levantadas pela polícia. Não houve divulgação de denúncias formais ou condenações relacionadas ao caso. As autoridades seguem analisando o material apreendido para determinar se houve irregularidades na gestão dos recursos públicos e eventual vínculo financeiro com a produção do longa-metragem.
O caso chama atenção por envolver simultaneamente recursos públicos municipais, contratos de tecnologia e uma produção audiovisual ligada a uma figura de grande relevância no cenário político nacional, ampliando o interesse sobre os desdobramentos da investigação.


