Documentário resgata história da Missa Afro e destaca resistência da comunidade negra em Itu

15 de maio de 2026

A cidade de Itu recebe neste sábado (16) o lançamento oficial do documentário “Missa Afro de Itu – A História do Povo Preto que o Berço da República Não Contou”, produção que resgata memórias, tradições e a trajetória de resistência da população negra ituana ao longo das últimas décadas.

O filme propõe um olhar profundo sobre a Missa Afro de Itu, celebração tradicional que une espiritualidade, ancestralidade e manifestações culturais afro-brasileiras, tornando-se símbolo de identidade e resistência na cidade. A produção também busca dar visibilidade a histórias e narrativas que, segundo os realizadores, foram historicamente apagadas dos registros oficiais.

Dirigido por Felipe Cavalheiro e com direção de fotografia assinada pelo artista plástico e indígena Thiago Cóstackz, o documentário reúne depoimentos de lideranças, participantes e pessoas que ajudaram a construir a Missa Afro ao longo de mais de 30 anos. Com cerca de 40 minutos de duração, a obra mistura memória, fé, identidade e resistência cultural.

A produção evidencia a importância da cultura afro-brasileira em Itu, cidade nacionalmente conhecida como “Berço da República”, mas que também possui forte ligação histórica com a população negra e seus movimentos culturais e religiosos. O filme revisita reflexões sobre racismo estrutural, invisibilidade histórica e valorização das raízes afro-brasileiras presentes na formação do município.

O lançamento acontecerá durante a programação do VI Ato da Abolição, promovido pelo G.R.C.E.E.S. Acadêmicos do Vale do Sol, na Vila Leis. Além da exibição do documentário, o evento contará com apresentações culturais, manifestações artísticas e atividades voltadas à valorização da cultura negra.

Segundo os organizadores, a escolha do local para a estreia reforça a conexão entre a obra e os espaços historicamente ligados à organização e resistência da comunidade preta ituana. A proposta é aproximar o público da história retratada e estimular o debate sobre memória, identidade e pertencimento.

O projeto foi contemplado pelo Programa de Ação Cultural (PROAC), da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, garantindo apoio para produção e circulação do documentário em espaços culturais, educativos e comunitários do interior paulista.

Após a estreia, a obra seguirá em circulação acompanhada de oficinas culturais, incluindo atividades de Abayomi — tradicionais bonecas artesanais afro-brasileiras — como forma de ampliar o acesso à cultura e fortalecer ações educativas sobre ancestralidade e resistência negra.

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