Polícia e MP realizam operação contra corrupção na Secretaria da Fazenda em Campinas e Vinhedo
Na manhã desta quinta-feira (26), policiais militares do 1º Batalhão de Ações Especiais de Polícia (1º Baep), com apoio do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), cumpriram 22 mandados de busca e apreensão em uma operação que mira um esquema de corrupção dentro da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo. A ação, denominada Operação Fisco Paralelo, aconteceu em diversos locais, incluindo os condomínios Terras de Vinhedo, em Vinhedo, e Xangrilá, em Campinas, além de endereços ligados a servidores públicos na capital paulista e em São José dos Campos.
As investigações apontam que o grupo, composto majoritariamente por servidores da Secretaria da Fazenda (SEFAZ-SP), utilizava sua posição para manipular processos fiscais, possibilitando fraudes em devoluções de ICMS, recebimento de valores indevidos e lavagem de dinheiro. Entre os 22 alvos, 16 são servidores públicos, enquanto uma executiva de uma grande empresa também está envolvida no esquema investigado.
Contexto e desdobramentos da operação
A Operação Fisco Paralelo é um desdobramento da Operação Ícaro, realizada em agosto de 2025, que investigou desvios relacionados aos casos Ultrafarma e Fast Shop. Após novas informações obtidas pelo Ministério Público, as apurações foram ampliadas para identificar outras irregularidades e ampliar o alcance das investigações na Secretaria da Fazenda.
Durante a investigação inicial, os promotores do Grupo Especial de Desenvolvimento e Combate ao Crime Organizado (Gedec) identificaram o agente fiscal Artur Gomes da Silva Neto e chegaram ao núcleo técnico da organização, liderado por Maria Hermínia de Jesus Santa Clara. Acontadora já está presa preventivamente por envolvimento em outro esquema, a Operação Mágico de Oz, que apurou fraudes na mesma secretaria.
Captura de órgãos e abrangência do esquema
Conforme apurado, a organização criminosa tinha influência em várias delegacias regionais tributárias do Estado de São Paulo, como as unidades da Lapa, Butantã, ABCD e Osasco, na Grande São Paulo. Os cargos ocupados pelos investigados variavam entre agente fiscal de renda, inspetor fiscal, coordenador e delegado regional tributário.
Além do apoio do 1º Baep, a operação contou com a colaboração do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), CyberGaeco, Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos (Cira) e da Polícia Militar, que atuam para desarticular o grupo e coletar documentos e provas essenciais para aprofundar a investigação.
Impactos e estimativas dos prejuízos
Embora ainda não haja um cálculo final, promotores indicam que o prejuízo causado pelo esquema é significativo e provavelmente ultrapassa os cerca de R$ 1 bilhão estimados durante a Operação Ícaro. Os crimes investigados incluem organização criminosa, corrupção ativa e passiva, além de lavagem de dinheiro.


